terça-feira, 30 de novembro de 2010

Minha preocupação… ser cristão!

Sou cristão, mas há coisas estranhas ao Evangelho nos arraiais evangélicos.
Tenho visto pessoas que se dizem cristãs, mas as práticas da vida denunciam que não entendem nada do significado de ser um seguidor de Cristo.
Vejo pessoas cantanda ou pregando nas igrejas, mas o coração e a prática do dia-a-dia mostram claramente que o louvor e a palavra pregada por elas NÃO passa do teto da igreja, não sobem mesmo à presença de Deus e não produz o efeito necessário nas vidas dos que os ouvem.
E por que? Porque cantam com os lábios, pregam da boca para fora, mas o coração está cheio de rapina, como a falta de perdão, ódio e aversão ao irmão.
Há aquele que quer se justificar dizendo que tem o direito de não ter comunhão com o irmão, de se sentir magoado porque foi muito ferido  por ele. Fico pensando no significado do que Cristo falou a respeito de AMAR os inimigos, bendizer os que nos maldizem, fazer bem aos que nos odeiam e ORAR pelos que nos maltratam e perseguem (Mt 5.44). Fico pensando também no significado de oferecer a outra face, caso seja ferido numa, de andar duas milhas, caso alguém obrigue a andar uma, de dar a capa, caso alguém queira a túnica, que são coisas que fazem parte da vida cristã, que realmente nos identificam como DISCÍPULO de Jesus Cristo.
Ser cristão não é somente está arrolado no rol de membros de uma igreja. Ser cristão é seguir a Cristo em todos os sentidos da vida. É por em prática os ensinos dEle, é viver o evangelho tal como ele é. E o evangelho não é filosofia de vida, é a própria vida que produz vida, e vida abudante. Não é confissão da boca para fora, mas vida na prática que se evidencia nos relacionamentos diários uns com os outros, não importando aquilo que recebemos como ações más contra a nossa vida.
Se não houver isso na nossa vida, não podemos nos considerar cristãos.
Louvor, cantar, testemunhar com o coração cheio de mágoa e rancor por alguém, mesmo que não seja irmão é algo que nos torna tão pagãos como qualquer um que nunca ouviu falar de Cristo.
Nos isolar de alguém que pecou, nos coloca ao lado daquela multidão que queria apedrejar a mulher que foi pega em adultério. Repreender ao irmão pecador é um gesto de amor, e orar por ele e procurar recuperá-lo é uma atitude de um verdadeiro filho de Deus. Nos identifica com Cristo, que veio não para os sãos, mas para os doentes e pecadores.
Cristo trabalhou no sentido de recuperar vidas. As vidas mais desprezadas e desonradas da sociedade foram recuperadas por Cristo. O apóstolo João recomenda-nos não pecarmos, mas se acontecer (como acidente no trajeto de nossa vida cristão)  temos um ADVOGADO junto ao PAI, JESUS CRISTO, o JUSTO, que é a propiciação pelos nossos pecados.  E João está escrevendo para cristãos e não para pagãos.
Sei de gente que deixou de ser amigo de outra porque ficou sabendo que o tal amigo pecou e que agora não pode ter comunhão  e amizade com ele porque é um pecador. Lógico que não podemos apoiar o pecado de quem quer que seja, mas o ensino de Cristo a esse respeito é totalmente diferente. Devemos procurar restaurar o pecador, mostrar-lhe o caminho do arrependimento, do perdão e da reconciliação com Deus e o próximo. Não o isolamento, o afastamento, como se a pessoa tivesse uma doença contagiosa.
O amor de Cristo em nossas vidas precisa ser real, verdadeiro, e não teórico. Deve ser traduzido na prática do dia-a-dia de nossas vidas. Alguém dizer: “eu estou bem com Deus, o resto que se dane!” (sério, eu ouvi alguém dizer isso), parece mais algo macabro e estranho, quando comparado ao evangelho ensinado por Jesus Cristo e seus apóstolos. Ninguém pode estar bem desejando  mal ao próximo, por mais pecador que seja esse próximo! Viver o evangelho é se preocupar com o bem-estar espiritual de meu próximo, é querer o melhor para a vida dele, não importando o mal que ele tenha praticado, que o Senhor lhe conceda graça para se arrepender. Quanto a mim, vou amá-lo, orar por ele e ajudá-lo, caso ele aceite e queira a minha ajuda, se não, ficarei na oração e desejando o melhor para ele no meu coração e não que ele SE DANE! Deus me livre disso!
É isso!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Amigo, a que vieste?

 

"Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste? Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam."  (Mateus 26.50).

Admiro-me de Jesus ter chamado de amigo o traidor. Com certeza o Mestre falou de coração, não se tratava de uma retórica ou uma forma de falar simplesmente. Para Jesus Judas era de fato seu amigo. Mesmo que as intenções de Judas fossem más, as de Jesus, no entanto, eram boas, sinceras e verdadeiras para com ele. Jesus amava a Judas (Jo 13.1). Ele era também um discípulo. Chamá-lo de amigo era uma forma de demonstrar amor e dizer-lhe que ele era considerado como tal. Judas o estava traindo, mas não tinha deixado de ser o “amigo”. Que coisa! Vejo nisso um exemplo para mim hoje. Que eu possa olhar para os que me ofendem como se não quisessem fazê-lo. Não olhar para a maldade que praticam, mas para aquilo que elas podem ser.  Mesmo que eu seja ferido, que eu possa perdoar e amar incondicionalmente. Chamar os que me querem fazer mal de AMIGOS e perguntar-lhes: “a que vieste?”.

Shalom Adonai!

Perdão (2)

Um amigo costumava repetir a frase “perdôo, mas não esqueço, é mais uma forma de dizer: não posso perdoar”. Realmente o perdão, quando dado de coração, leva a pessoa a “esquecer” a ofensa recebida. Coloquei esquecer entre aspas de propósito, pois é lógico que ninguém esquece algo tão facilmente, ainda mais se foi algo doloroso. Mas o esquecer aqui é no sentido de que aquela ofensa não causa mais dor, não amargura mais a alma de quem sofreu o dano.

O perdão aplicado de forma correta leva à paz de espírito, à tranquilidade e à leveza da alma. Quem perdoa faz um bem a si mesmo, deixando de lado toda a amargura, a revolta e o rancor causados pelo mal recebido. Mesmo que o ofensor não se arrependa, todavia cabe a quem recebeu a ofensa perdoar, não por causa do ofensor, mas por causa de si mesmo. Guardar tranqueira na alma leva ao caos existencial. Ninguém consegue viver bem com mágoa e amargura na alma.

Há os que optam pela vingança. Todavia os que se enveredam por esse caminho acabam causando mais dano a si mesmo do que de quem querem se vingar. Mesmo que consigam a vingança, o resultado nunca será aquilo que se esperava. Geralmente o pensamento de quem quer se vingar é fazer a pessoa pagar pelo que fez, pois assim fará com que ela se sinta melhor, e tenha a sensação de dever cumprido. Ledo engano. O mal não é pago com o mal. O mal se paga com o bem. É o que ensina o apóstolo do gentios.

Pense nisso!

Shalom Adonai!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tristeza profunda

"E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai."  (Marcos 14.34).
Cristo nunca entrou em depressão e nem podia. No entanto, Ele sentiu uma profunda tristeza, momentos antes de Sua morte. Não se tratava de uma fraqueza do Salvador ou medo da morte. Ele tinha poder sobre a Sua vida, para a dar e para tornar a tomá-la (Jo 10.18). Sua tristeza estava relacionada a experiência que Ele teria, ao tomar sobre si os nossos pecados e, por um momento, sentir o afastamento do Pai, ao ponto de exclamar: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). Ele estava no Getsêmani em grande agonia, por tudo o que viria pela frente. Não eram experiências nada agradáveis. Mas Cristo soube lidar com tudo isso, Ele estava preparado para passar por aqueles momentos.
Na esfera humana, experiências amargas, decepções, perdas, tragédias, ou mesmo pecado podem nos causar profunda tristeza em nossa alma. É natural isso. Independente de sermos cristãos, mesmo tendo Deus em nossas vidas e a alegria da salvação, não estamos isentos disso. Todavia, não podemos nos deixar abater pelas tristezas e decepções da vida. Ficar triste, amargurado, decepcionado pode acontecer com qualquer um, o que não pode acontecer é o abatimento e a entrega à derrota, como se tudo tivesse acabado. Cristo sentiu tristeza, mas não foi um derrotado, não ficou abatido e nem se lamentando, e quando chegou o momento de enfrentar a sua hora, o fez com coragem e determinação.
Para os que passam por isso, fica uma recomendação do apóstolo Paulo: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;” (2 Co 4.8,9).
Shalom Adonai!

sábado, 20 de novembro de 2010

Raiz de amargura

 

"Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem."  (Hebreus 12.15).

Tenho pensado a respeito da expressão “raiz de amargura” procurando identificar o que seria isso em termos práticos. Bem, pra começo de conversa, “raiz” nos fala de origem ou fundamento de alguma coisa ou o que sustenta algo, como no caso das árvores, que se não tivessem raizes não sobreviveriam.

O texto bíblico em apreço fala de raiz que brota, que aparece, que torna-se visível, e, ao assim fazer, perturba e contamina. Portanto, é algo interior, que ocorre dentro de nosso ser, que pode brotar, pertubando e contaminando desta forma a nossa vida e a de outros. Faz-me lembrar as palavras do Mestre dizendo que do nosso coração procedem os maus pensamentos e as más ações, “a boca fala do que o coração está cheio”. Todavia, a raiz de amargura é algo que deixemos nascer, germinar dentro de nós. Tenho pra mim que é tudo aquilo que vai nos amargurar, magoar e nos fazer sofrer muito. Como uma grande decepção com alguém, por exemplo. Pode ser também raiva ou rancor muito forte contra alguém ou algo, ou mesmo a falta de perdão, não conseguir perdoar uma ofensa recebida. Tudo isso pode levar a amargura da alma e do espírito, ao ponto de nos privar da graça de Deus, o que é algo extremamente perigoso.  Jesus nos ensina que devemos perdoar e amar a todos que nos ofendem, independente da gravidade da ofensa. Amar até mesmo os inimigos e ainda orar pelos que nos perseguem. Perece algo impossível, não é mesmo? Sim, é impossível se nos deixarmos levar pela amargura, se deixarmos a coisa enraizar dentro de nós e brotar, causando grande estrago em nossa vida e na vida das pessoas que nos rodeiam.

Creio que a raiz de amargura vai além do que exemplifiquei acima, pois há muitas coisas que podem nos amargurar, nos privando da graça de Deus. Tudo que nutrimos em nosso coração, contrário à Palavra de Deus, pode ser uma raiz de amargura, pode ser algo que vai nos causar muita dor. Portanto, o conselho bíblico é “"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai."  (Filipenses 4. 8).

Shalom Adonai!